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Para os meus e para os que não sendo meus, são meus.

...


I - O Começo

por Pedro Madeira Alves, em 27.10.14

Difícil começar, não é?

 

Escrever um blogue é algo extremamente pretensioso. Avaliamos em causa própria e, com soberba, classificamos ,o mesmo, de interesse para terceiros. 

 

Ao mesmo tempo, temos que afirmar que é um gosto extremamente digno. Sujeitamo-nos ao escrutínio e à crítica que poderá ser dura, ou muito pior, deslocadamente ofensiva e insultuosa. De digestão difícil, não?

 

Não é, realmente, coisa para meninos, meninos de egos inflamados e frágeis.

 

Salvo erro, foi Golda Meir quem disse qualquer coisa do género: Humildade? Você não é assim tão importante! Seguramente não sou e, portanto, estou totalmente convencido de que tenho perspectivas interessantes e inovadoras para discutir com vocês. Mas é um risco. Um risco grande.

 

Dou-vos este exemplo entre outros multifacetados riscos: o que farei se alguém se aproveitar do anonimato e levantar publicamente questões do foro pessoal? Não sei. Confesso que não sei. E espero, sinceramente, não ter que vir a saber.

 

Escrever qualquer blogue é, sem dúvida, um grande risco que deve ser conscientemente assumido.  Mas vale a pena. Só pode pensar que vale a pena quem pensa ter a missão de deixar um testemunho, um testemunho válido para os seus e para os que não sendo seus, são seus.

 

Da Forma

 

Começo logo por padecer de vergonha antecipada. A falta de tempo poderá ser causa justificativa de eventuais erros de português. Por favor, não deixem passar. Corrijam-me. Eu agradeço.

 

Ah! Não uso o novo acordo ortográfico por puro comodismo e fico à margem da discussão sobre a sua bondade. Não se zanguem mas há universos de matérias mais prementes e interessantes. Penso eu de que...

 

Não quero a macacada da linguagem dos sms. Mas aqui não será lugar para linguagens de cariz mais formal. Quero uma linguagem aberta, coloquial, fácil, rápida e que seja motivadora da discussão. E cuidado! Poderei chegar a utilizar linguagem brejeira mas espero que nunca malcriada.  Se necessário, corrijam-me. Eu agradeço e obedeço.

 

Acreditem se quiserem, mas não tenho nenhum interesse em mostrar neste blogue a minha putativa cultura. E, garantidamente, o objectivo deste blogue não é a venda das minhas eventuais e escassas qualidades. Verão poucas ou nenhumas citações, poucas ou nenhumas remissões e quejandos... Há excepções. Há personagens que adoro e nunca consigo não falar deles. Mas que fique bem claro que me irrita profundamente citações deslocadas ou mal interpretadas, anglicismos desnecessários e bacocos, galicismos arrevesados e pedantes e o diabo a quatro...

 

Irrita-me solenemente tudo o que tira a cultura da substância e a traz para a imagem. Vem-me sempre à memória a imagem recorrente e decalcada dos filmes americanos dos anos 90 da bambinoca sentada a ler na esplanada do café. Em Portugal, a dita cuja, a bambinoca, finge ler fervorosamente e do romance, só consegue balbuciar o título. E algumas generalidades sobre a vida amorosa do autor.

 

Continuando. Simples e directo. Não discuto pessoas. Parto sempre do princípio de que só as conhecendo tremendamente bem adquiriria o direito de formular juízos de valor. Sinceramente, só os fracos e os mal intencionados rotulam os seus semelhantes.

 

Mas nada me impede que, com carácter generalista, eu discuta atitudes e comportamentos usados e praticados por uma determinada pessoa. O mesmo raciocínio se aplica às ideias ventiladas pelas pessoas. Dito de outra forma, não tenho qualquer direito de enxovalhar o bom nome de uma pessoa, mesmo que esse bom nome não tenha razão objectiva de existência. Contudo, tenho todo o direito de gostar ou não gostar do que me der na gana e me for dado, num dado momento, a apreciar.

 

Mudando a agulha. Este começo é uma espécie de segurança futura. Serve para obviar mal entendidos que poderão, eventualmente, vir a surgir. Daí o seu anormal tamanho.

 

Prometo reflexões futuras mais em conta e muito menos declarativas, isto é, chatas.

 

Desejo manter uma periocidade semanal. Vamos ver se cumpro.

 

Por último, não sou professor e não tenho a mínima pretensão ou intenção professoral e/ou pedagógica. Admiro tremendamente os bons professores e sou incapaz de me comparar. Quero apenas interrogar-me e interrogar-vos. Quero aprender e explorar pontos de vista. Quero sujeitar-me à crítica. Quero aprender o que é viver debaixo de crítica. E quero pensar.

 

Em cada fim, se, do processo, surgir algo de novo e enriquecedor, ficarei satisfeito.

 

Do Conteúdo

 

Lamento ser duro, mas não há pachorra para a falta de cultura. Ela tudo infecta e tudo prejudica. As relações humanas ficam pobres e incivilizadas, as relações sociais, improdutivas e ineficazes, as instituições, incapazes, os países sem rumo, as civilizações, perdidas.

 

Mas a falta de cultura tem muitas causas subjacentes. Não tenho pachorra porque não pactuo com ela, porque a quero, senão erradicada, pelo menos minimizada. Mas ela tem que ser tratada com inteligência e sentido social. Em muitos casos, devemos compreender a falta de cultura. Mas nunca poderemos aceitar o status quo por ela gerado.

 

Agora, o que me deixa nauseado e zangado, é a desvalorização da cultura, seja pela estupidez de meter tudo no mesmo saco, ou pela atitude de desdém com que muitos grunhos a catalogam ou a chutam para canto.

 

Quero tentar demonstrar a importância da cultura em todos os âmbitos da actividade, construção pessoal e social. A importância da cultura na qualidade com que se constrói relações pessoais e sociais. Quero dar o devido mérito a quem eleva a civilidade do indivíduo e a forma de estar em sociedade.

 

Longe de mim erigir argumentação que sirva de apoio a qualquer forma de exclusão. Seria contra a minha essência logo, seria incapaz, ponto final. Mas exijo diferenciação.

 

A frase seguinte pode parecer extremamente óbvia ou extremamente polémica mas, mais tarde, terei muitas oportunidades para a explicar. A verdade é que um inculto não é um culto.

 

Quero falar de atitudes, comportamentos e relações sociais. Quero falar da mediocridade. Quero falar da enorme pressão pelo nivelamento pela mediocridade.

 

Quero interrogar-me quais serão os melhores caminhos. E quero interrogar-me onde iremos estar se nada fizermos.

 

Porque não somos todos civilizados, cultos e inteligentes? Ou antes, o que é isso?

  

Não seria melhor ficarmos todos quietinhos e caladinhos?

 

Em suma, não deixem que as minhas prioridades de exposição inicial vos desviem do âmago. Este não é um blogue sobre cultura. Não, senhoras e senhores. Realmente, não é. É sobre desenvolvimento pessoal e relações sociais.

 

Dos Objectivos

 

Sempre me fez uma confusão terrível verificar a quantidade enorme de pessoas que, em cada geração, pensam e actuam como se tivessem chegado ao fim da História.

 

Por mais guerras e destruições que se possam vir a verificar, não ter a humildade de saber que somos muito mais incultos do que serão os nossos descendentes, é algo que me confrange.

 

Não querer saber como os nossos descendentes vão viver, aflige-me como ser humano que se presume minimamente inteligente. Pensem bem, se todos pensassem assim, no limite, ainda estaríamos todos nas cavernas. Não era?

 

E o que devemos fazer? Deixar dinheiro? Bem, imaginem o seguinte cenário. Façam do vosso filho um grunho e dêem-lhe rios de dinheiro. Consequência? Com alto grau de probabilidade, ele e todos os seus descendentes nunca deixarão de ser grunhos . Como grunhos, garantidamente, acabarão por perder o dinheiro, grunhindo alegremente. E, mesmo que não percam o dinheiro, grunhos continuarão. Grunhos!

 

Ponham o cenário alternativo. Dêem civilidade, educação e cultura a um filho vosso e tudo poderá acontecer. Tudo? Tudo! Mas, garantidamente, os vossos descendentes serão sempre mais educados e mais cultos. Serão criados alicerces dificilmente reversíveis. E tudo tenderá, com altíssimo grau de probabilidade, a melhorar. Tudo!

 

Deixem-me acabar de forma extremamente dura, chamando todos os nomes feios aos nossos estúpidos egos. Não ter o discernimento mínimo para saber que tudo é dinâmico e mutável, mesmo que difícil, lamento ter que dizer, terá que ser considerado muito pouco inteligente. E ter a pretensão de deter verdades absolutas é... apenas ridículo. Muito ridículo.

 

Em conclusão, não se iluda. Não julgue que estou a falar de outros. Não arranje desculpas. Não fuja. Estou a falar de si. A responsabilidade é sua. 

 

E é, também, indubitavelmente, minha.

 

Pais, educadores, cônjuges, colegas, chefes, conterrâneos, compatriotas...

 

E o que é o Sustentáculo do Todo? Todos nós. Literalmente, todos nós.

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publicado às 00:54


2 comentários

De Joao a 28.10.2014 às 10:30

Bem vindo à blogosfera
Abraço Lozinho

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